Jornal do Comércio - Edição de Domingo, 26 de Junho de 2005. - Economia

Fraude dentro das empresas preocupa

A falta de controle e excesso de confiança é um caminho aberto para as fraudes nas empresas, que se tornaram um tema de maior preocupação entre os empresários. Segundo uma pesquisa da consultoria Deloitte, cada vez mais as empresas estão investindo em auditorias internas e advocacia preventiva. Empresas menores chegam a contratar espiões para controlar as perdas.
“As empresas são vítimas de fraudes de todos os tipos. É preciso agir preventivamente para não deixá-las contaminadas por cupins”, adverte o advogado trabalhista Marcos Alencar, especializado no assunto. A percepção é compartilhada por 64% dos 250 executivos entrevistados pela Deloitte durante a Conferência Internacional de Auditoria Interna, realizada no final do ano passado, que disseram aumentar os orçamentos destinados a auditoria interna.

Ainda de acordo com a pesquisa, diante de denúncias de fraudes corporativas, 73% dos executivos afirmam realizar investigações utilizando equipes internas. Marcos Alencar cita vários casos em que uma pequena investigação resultou na economia de muitos reais. “Numa empresa de ônibus daqui, após colocar uma câmara de vídeo para prevenção de crimes como estupro, foi descoberto que vários cobradores recebiam dinheiro e mandavam passar por cima da catraca. Nesse caso, foram demitidos 40 cobradores”, exemplifica.

Esse é um caso em que havia uma gravação, mas em outras ocorrências, a empresa pode saber que está sendo fraudada mas a falta de provas substanciais pode impedir a demissão por justa causa.

Entre as principais vias de fraude estão a inclusão de funcionários fantasmas na folha, pagamento de horas extras indevidas e apropriação indébita de recursos da empresa. “São problemas que afetam ainda mais as pequenas empresas, já que elas possuem menos rotinas e auditorias. E aí elas acham que é caro contratar uma auditoria ou advocacia preventiva, mas quando descobre o rombo, o prejuízo passa a ser maior”, diz.

O presidente da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), Geraldo José da Silva, acredita que não há empresa que esteja totalmente protegida de fraudes. “Nós sempre temos informações de fraudes acontecendo em empresas associadas, é uma coisa difícil de acabar”, afirma. Segundo ele, as empresas menores chegam a contratar funcionários para trabalharem como espiões, funcionando como informantes do dia-a-dia da empresa. “As maiores empresas possuem pessoal especialista, mas os mercadinhos contratam fiscais virtuais, que conferem recebimento de mercadorias e a saída”, diz. Segundo ele, as firmas ficam numa situação difícil, entre a necessidade de ter controle interno e, ao mesmo tempo, ter que evitar constranger os funcionários.