Revista Sim - 02 de Dezembro de 2005. - Opnião

Juros Altos, alimento ao desemprego

Por Marcos Alencar

No decorrer da campanha presidencial, o então candidato José Serra (PSDB) prometia a criação de oito milhões de empregos, enquanto o candidato do PT, Luis Inácio Lula da Silva, ia mais longe e estimava 10 milhões. São números expressivos, que impressionam. Depois de eleito, o presidente Lula, entretanto, apenas aparenta estar cumprindo essa meta.

As pesquisas do IBGE comprovam que o nível de emprego cresce lentamente. No entanto, é importante destacar que grande parte desses novos empregados não ocupa novos postos de trabalho, sendo ex-trabalhadores informais, que, pela intensificação da fiscalização do Ministério do Trabalho e as duras decisões dos Juízes trabalhistas, se tornaram formais. Os empregadores, desestimulados pelo alto preço pago por estarem na clandestinidade, passaram a assinar suas carteiras de trabalho, dando uma falsa idéia de crescimento do número de empregos.

Os sindicatos, notoriamente, desenvolvem papel importante na manutenção de empregos, sendo decisivos para o crescimento de inúmeras categorias profissionais. Entretanto, quando se abordam os juros altos, os sindicalistas deixam passar impune o gigantesco estrago que a atual política econômica vem causando à classe dos trabalhadores - empregados formais e informais.

Ao fixar e manter, por longos meses, juros altíssimos, o Banco Central se vangloria pelo controle inflacionário, mas despreza a queda da atividade produtiva e a estagnação do emprego, pois com os juros em alto patamar, os empreendedores desaceleram os investimentos nas suas empresas, reduzindo drasticamente os processos de produção.

Para os que não possuem capital de giro, é impensável realizar empréstimos para investir na produção, pois isso pode significar a perda do negócio e uma dívida recheada de juros, tributos e causas trabalhistas. Sabe-se que sem investimento na produção, só há um perdedor direto: o trabalhador, pois o empresariado, ao deixar de ganhar na produção, passa a ter lucros atrativos em aplicações financeiras, caso esteja capitalizado.

Portanto, cabe aos sindicatos e federações, ao invés de focarem as suas pautas somente na ampliação de mais direitos, considerarem que a maior luta deve ser a manutenção de empregos. Uma ação necessária é reagir contra as altas taxas de juros, com greves e protestos pacíficos, perante o Conselho de Política Monetária (Copom) e o Governo Federal, para que os mesmos moderem a escalada dos juros.

Os sindicatos e o Governo Federal devem proteger os empresários que, apesar das dificuldades, mantêm seus negócios em funcionamento, gerando empregos. Esses merecem ser tratados de forma diferenciada, para que não desistam da atividade produtiva e passem a engordar as fileiras dos investidores.

Se os sindicalistas passarem a tratar os empresários como heróis, ao invés de vilões (sonegadores, exploradores e escravocratas), será mais fácil cumprir a promessa do atual presidente Lula, pois sem empresas e empregadores, não há empregos. De nada adianta tanta conquista de direitos sem emprego.

Agindo assim, todos ganharão: os empresários, com mais lucros; os trabalhadores, com mais empregos; o governo, com mais impostos e menos caos social. A solução para o problema do desemprego começa no estímulo à criação e manutenção das micro e pequenas empresas. Mais empresas, certamente, menos desemprego. Empresas fortes, empregos estáveis. Empresas lucrativas pagam mais direitos e melhores salários.

Marcos Alencar - Advogado especialista em Direito do Trabalho e sócio da Dejure Consultoria Trabalhista.